1977/78 - Água - Fatos&Fotos

Água lava tudo! E realmente lava... Pra mim a água sempre foi um elemento forte. Água de igarapé, de riacho, de cachoeira, do mar... Quando não me sinto bem, procuro um desses lugares para me banhar; a água me limpa de qualquer carga mais pesada..." (Fafá de Belém - Jornal O Globo - 20/04/1977)

Em janeiro de 1977, Fafá de Belém entrou em estúdio para gravar "Água".


Fafá na TV - 14/03/1977 - Programa "Música Popular Brasileira", TVE , onde cantou "Siriê". Participaram também do musical: Emílio Santiago, Alcione, Altamiro Carrilho e César Costa Filho. (Fonte: Jornal "O Globo" - Hoje na TV) .

Assista:

Logo após concluir as gravações de "Água", Fafá foi para Belém curtir um merecido descanso. Ficou por lá uns 15 dias. Após as pequenas férias, voltou para o lançamento do disco. Logo em seguida foi para São Paulo, onde, em abril, encerraria o show "Tamba-Tajá.

Abril de 1977. O disco "Água" chega as lojas. A musica de trabalho na ocasião do lançamento é "Raça" que se tornaria um dos grandes hits da cantora no ano de 1977. 

Fafá de Belém - "Água" - 1977 - Capa

Fafá de Belém - "Água" - 1977 - Contracapa

"Com produção de Roberto Santana, Arranjos de Chiquito Braga e Roberto Menescal e com o selo Philips, é lançado em 1977 "Água" o novo disco de Fafá de Belém. Fafá nesta época, tinha uma identidade muito forte como cantora de repertório brejeiro e regional e este foi o mote que levou "Água" a percorrer vários caminhos do Brasil. "A proposta do Roberto Santana era fazer um disco de todos os lugares do Brasil. Fizemos um trabalho de pesquisa de repertório imenso. Cansamos de varar madrugadas ouvindo material", recorda. Seguindo a mesma linha do primeiro LP, "Água" pretendia mostrar uma Fafá de Belém como uma cantora regional, saída diretamente da floresta amazônica, mas já com uns toques do urbano. É um repertório que em geral fala da natureza, da vida simples das comunidades ribeirinhas, da tranquilidade que esses lugares e esses modos de vida inspiram, das inquietações e da forma de amar dessas pessoas.

A capa do disco, também, mostra a cantora em uma árvore, na beira de um rio, com roupas simples, sugerindo uma enorme proximidade com a natureza. Já a instrumentação do disco prenunciava que a cantora tinha pretensões de ganhar outras terras, para além da vastidão das águas amazônicas. Estão presentes instrumentos que fazem referência ao regionalismo, como pau-de-chuva, percussões diversas, flautas imitando pássaros; mas nota-se a preponderância de instrumentos "universais", como violão, cavaquinho, teclado, contrabaixo e da orquestra de cordas. Ruy Barata e Paulo André, compositores paraenses (respectivamente pai e filho), presentes desde o primeiro disco de Fafá, deram a ela dois sucessos que a acompanham até hoje: "Pauapixuna" e "Foi Assim". "Quando ouvi essas músicas, eu tinha certeza que elas fariam sucesso. Elas tinham algo de regional e ao mesmo tempo universal". Analisa. Milton Nascimento, para quem a artista já havia dedicado o seu primeiro disco, comparece em duas parcerias com Fernando Brant: "Raça" (Do Ballet "Maria, Maria") e "Sedução", feita especialmente para ela. Passeando mais ainda pelo Brasil, o repertório incluía a tradicional "Leilão" (Hekel Tavares e Joracy Camargo), a bela e sulista "Cordas de Espinhos" (Luiz Coronel e Marco Aurélio Vasconcelos), "Ontem ao Luar" (Pedro de Alcântara e Catulo da Paixão Cearense), "Cidade Pequenina" (rara parceria de Caetano Veloso com Roberto Menescal, lançada em 1968 pela cantora Sônia Lemos, prima de Fafá), "Canção Passarinho"(Luiz Violão - um dos integrantes do grupo "Os Cariocas"), "Araguaia" (Rinaldo Barra) e o medley que juntava "O Andarilho" (Dalton Vogeler e Orlando Silveira) e "Ave Maria dos Retirantes" (Alcivando Luz e Carlos Coqueijo). Nota-se neste trabalho que: assim como Fafá se conectava com sua origem amazônica: "Pauapixuna", "Araguaia", "Canção Passarinho", mostrava também o seu desejo de projetar-se como cantora também urbana: "Sedução" e "Foi Assim". (Texto do Box "Três Tons de Fafá" - Universal - 2013).

Músicas:

1) Pauapixuna (Ruy Barata, Paulo André) 2) Araguaia (Rinaldo Barra) 3) Leilão (Joracy Camargo, Hekel Tavares) 4) Cordas de espinhos (Marco Aurélio Vasconcellos, Luiz Coronel) 5) Canção passarinho (Luiz Violão) 6) Ontem ao luar (Catullo da Paixão Cearense) 7) Raça (Milton Nascimento, Fernando Brant) 8) Sedução (Milton Nascimento, Fernando Brant) 9) Foi assim (Ruy Barata, Paulo André) 10) Cidade pequenina (Caetano Veloso, Roberto Menescal) 11) O andarilho (Dalton Vogeler, Orlando Silveira) / Ave Maria dos Retirantes (Alcivando Luz, Carlos Coqueijo)  

Ficha Técnica do disco:

Direção de Produção e Estúdio: Roberto Santana

Seleção de Repertório: Roberto Santana e Fafá de Belém

Músicos:

Chiquito Braga: Violão, Guitarra, Viola, Bandolim e Cavaco / Vevé Calazans: Violão e Baixo / Bira, Chico Batera e Djalma: Percussão / Paschoal e Ricardo Costa: Bateria / Elvius: Piano Acústico, Elétrico e Órgão / Antonio Adolfo: Piano Elétrico / Meireles, Nivaldo e Odorico Vitor: Sax, Flauta / Cordas: Orquestra de Cordas Phonogram / Coro: Coro do Ronaldo / Arranjos: Chiquito Braga e Roberto Menescal / Capa: Aldo Luíz / Foto: Januário Garcia / Arte Final: Arthur Fróes

Imprensa

Assista aos depoimentos do fotógrafo Januário Garcia e de Fafá de Belém, à respeito da concepção da capa do disco "Água". (Programa Exibido pelo Canal Brasil em Novembro de 2016). 

Compacto Duplo

No dia 13/04/1977, Fafá de Belém estreou  no "Teatro Taib",em São Paulo, o show "Tamba-Tajá". O espetáculo ficou em cartaz até meados do mês de junho daquele ano.

Imprensa:

Fafá na TV - No dia 08/05/1977 O "Fantástico" exibe uma entrevista com Fafá de Belém, na qual, ela fala de seu novo disco, canta trechos de algumas músicas e termina cantando "Pauapixuna". 

Assista:

Em menos de dois meses do seu lançamento, "Água" já contava com dois grandes sucessos radiofônicos: "Pauapixuna" (Paulo André/Ruy Barata) e "Raça" (Milton Nascimento/Fernando Brant). O sucesso de "Raça" foi tão grande que, 30 anos após seu lançamento, ganhou, em 2007, uma maravilhosa versão remix do DJ Zé Pedro. Abaixo, as duas versões, a original (1977) e a remixada, em um belo vídeo editado pelo VJ Andy Rick. Assista:

"Raça" - Versão original 1977

"Raça" - Versão remix 2007

No dia 06/07/1977, Fafá de Belém encerava a sua bem-sucedida turnê do show "Tamba-Tajá". O espetáculo foi apresentado no "MAM - Museu de Arte Moderna" (RJ) e ficou em cartaz até o dia 10/07/1977. 

Imprensa: 

No dia 30/07/1977 Milton Nascimento recebeu uma grande homenagem. Foi inaugurada a "Praça Travessia", na cidade de Três Pontas (MG). Vários artistas estiveram presentes, inclusive a Fafá de Belém, que segundo algumas fontes, chegou de jatinho e dividiu pela primeira vez o palco com Bituca. 

Veja o que rolou no evento:

Documentário com a história do Clube da Esquina com depoimentos de Fafá de Belém, Milton Nascimento, Leda Nagle, Márcio Borges entre outros. Assista:

Das revistas de cifras as coletâneas populares, "Pauapixuna" já era um dos grandes sucessos do ano de 1977.

Fafá em uma apresentação com os irmãos Rinaldo e Marcelo Barra. (Rinaldo Barra é o autor da música "Araguaia")

No dia 07/08/1977 a música "Foi Assim" que já era sucesso popular, ganha um vídeo clipe no programa "Fantástico" da Rede Globo. Assista: 

Curiosidade: A música "Foi assim", ganhou na época uma versão em espanhol. A intenção é que "Fué Asi" fizesse com que Fafá se aproximasse do mercado latino. Por algum motivo, a versão acabou não entrando no disco e só veio reaparecer em 2013, quando a Universal Music lançou o Box "Três Tons de Fafá". Ouça "Fué Asi":

"Todo Mundo Gosta de Fafá" - Revista Pop - Agosto de 1977 - Fotos: Chico Aragão

Fafá de Belém foi contratada para ser garota propaganda das Pilhas Eveready. A campanha fez tanto sucesso, que foi criado uma versão do disco "Água" cuja capa era a foto do comercial.

Em setembro de 1977, Fafá junto com Tuca, diretora de TV, e uma equipe da TV. Bandeirantes, foram para Belém, onde foi gravado o primeiro especial com a cantora, que foi exibido na programação de final de ano da emissora.

No dia 09/12/1977, foi ao ar pela TV. Guanabara (Rede Bandeirantes de Televisão), o primeiro especial de Fafá de Belém. Com direção de Tuca, o programa foi todo gravado em Belém e nele, além de muita música, Fafá apresentava os lugares, pessoas e a cultura paraense. Infelizmente não encontrei nada na rede sobre esse especial. Abaixo, as notícias sobre a gravação e a exibição.

Fafá de Belém comemorando com os amigos, e compositores, Paulo André e Ruy Barata, autores de "Pauapixuna" e "Foi Assim", os sucessos do disco "Água" - 1977

Fafá de Belém fecha o ano de 1977 já considerada pela crítica e pelo público, como uma das maiores cantoras da música brasileira.

Em 16 de Janeiro de 1978, estreou pela Rede Globo de Televisão, a novela "O Pulo do Gato". A musica "Sedução" com Fafá de Belém, entrou na trilha sonora da novela. Assista ao clipe*: 

*Este vídeo foi exibido no "Fantástico" em 05/03/1978

Em janeiro de 1978, Fafá de Belém tinha 21 anos e quase três anos de uma carreira meteórica. Já tinha sete grandes sucessos nas rádios de todo o país e já havia entrado para o seleto grupo dos grandes nomes da música brasileira. O seu prestigio já era tanto, que em janeiro daquele ano, assinou um contrato de 06 meses com a Rede Globo. No contrato, Fafá teria pelo menos quatro aparições mensais na programação da emissora, sendo que 02 aparições seriam em um quadro do humorístico "Planeta dos homens". Foi nessa época também que a cantora trocou de empresário. Saia Roberto Santana, que a mantinha na rédea curta, e entra Paulinho Lima. Diante desse sucesso meteórico, a cantora não segurou a onda. Drogas, baladas, excesso de entusiasmo quase a destruíram, como veremos no período "Banho de Cheiro".

O diretor de cinema, Miguel Faria Jr. filma, no Pará, o documentário "Waldemar Henrique Canta Belém" onde conta a vida e a obra do maestro e compositor paraense Waldemar Henrique, considerado uma das maiores expressões musicais modernas (da década de 1930 à 1970). Ao recriar temas e mitos da Amazônia, Waldemar Henrique retrata os valores musicais de sua região. O curta conta com a participação especial de Fafá de Belém.  Maiores informações:

https://bases.cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=P&nextAction=search&exprSearch=ID=033182&format=detailed.pft


Carnaval 1978

As agitações carnavalescas de Fafá de Belém, começaram no dia 30/01/1978, quando a Socialite carioca Odile Marinho, ofereceu um jantar ao ator Alain Delon, que passava o carnaval na cidade maravilhosa. O jantar estava recheado de celebridades como o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, o cantor americano Rod Stewart, entre tantos outros.

Na badalada casa noturna "Regine's", Fafá e Peter Frampton se estranharam, ao ponto de ela jogar na cara do cantor, uma bola de isopor coberta de purpurina. Mas o mal-entendido inicial foi desfeito e junto com Rod Stewart, Elton John e vários outros amigos, curtiram o domingo de carnaval em um divertido passeio de barco.

Fafá de Belém foi presença em quase todos os bailes carnavalescos no Rio de Janeiro.

Fafá de Belém - Carnaval 1978 - Os Fatos:

Fafá de Belém - Carnaval 1978 - As Fotos:

De 15 a 17/02/1978, Fafá de Belém, com participação especialíssima de Sueli Costa (foto), se apresentou no "Concha Verde do Morro da Urca" (RJ). Esse show já era uma espécie de laboratório para o próximo disco, que já começara o processo de produção. Fafá, na busca pelo seu próprio ritmo, pretendia neste próximo trabalho, manter a cantora regional, mas também mostrar seu lado urbano. Essa seria a linha do seu próximo trabalho, o disco "Banho de Cheiro". 

Chegamos assim ao final do período "Água". "Água" é muito mais do que um disco, eu diria que foi um marco na história do mercado fonográfico brasileiro. Um disco antológico, único, arrebatador! Jamais outro artista fará algo igual; nem mesmo a própria Fafá, se assim desejasse. A atmosfera desse disco é mágica, mística.... Foi um resgate da memória musical brasileira concebido de uma maneira única, inimitável. Influenciou positivamente a nossa música, as gravadoras perceberam que a música de cunho regional poderia ser um bom negócio e assim foi! O sucesso de "Água" abriria as portas para outros artistas como: Diana Pequeno, Elba Ramalho, Amelinha entre tantos outros. Com esse trabalho, Fafá de Belém se firma como artista e entra de forma definitiva para o seleto grupo das grandes cantoras brasileiras. 

Fafá de Belém estava feliz com o rumo que sua carreira tomava, mas para o próximo disco, a cantora queria alçar novos voos, cantar novas tribos, trazer o som da sua Belém, mas também o som de "outras Beléns".  Essa seria a linha do seu próximo trabalho, o disco "Banho de Cheiro". Fafá buscava o seu próprio ritmo...

Texto Narrativo: Claudinei Sampaio 

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