"Aprendizes da Esperança" - Fatos&Fotos

Após receber alta do Hospital Santa Cruz, em São Paulo, Fafá e a filha Mariana seguiram para Belém. Uma viagem rápida, já que no dia 15 de janeiro de 1985, deveria estar em Brasília para acompanhar a vitória de Tancredo Neves.

Uns dias em Belém iria fazer-lhe bem, tanto na questão da estafa, quanto na questão da crise renal, sabia que lá as ervas amazônicas iriam expelir as incomodas pedras nos rins, como de fato aconteceu.

Também precisava organizar e planejar o seu novo disco. Quanto a isso, já haviam dois pontos fechados: Esse trabalho seria uma espécie de tradução da sua caminhada com o povo brasileiro pelo fim da ditadura, além disso, queria também, com sua música, chegar mais próxima desse povo que a adorava, mas que não tinham uma intimidade com o seu trabalho, conforme Fafá detectou em seu contato com o povo. O Novo disco teria a Produção de Max Pierre e os arranjos e regências do americano Erich Bulling.

Desde que dera seu apoio à candidatura de Tancredo Neves, boatos de que a artista seria candidata ao cargo de Deputada Federal, se espalharam de forma assídua em jornais e revistas de todo o país. Sobre o boato, Fafá deu a seguinte declaração a revista Contigo: "É bom deixar claro que não penso em ser deputada. Justamente porque fora da militância político-partidária, eu tenho uma liberdade de ação e crítica muito maior. Por outro lado, se me engajar a um partido, serei obrigada a seguir o programa dele. Nem morta! Quero liberdade pra pichar quem merecer".

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Janeiro de 1985:

30/01/1985 - Reprise do "Bar Academia" com Milton Nascimento - Fafá cantou "Menestrel das Alagoas" - TV Manchete.

"O Globo" - 02/01/1985

"O Globo" 12/01/1985

No dia 15 de Janeiro de 1985, Tancredo Neves é eleito, de forma indireta, Presidente da Republica. Acima, edição do Jornal Folha de São Paulo do dia 16/01/1985. Abaixo, vídeo com áudio do discurso da vitória de Tancredo Neves. No final do vídeo, observe que há um pequeno tumulto. Isso se deu porque o famoso "Beijoqueiro", figura popular da época que costumava beijar artistas, políticos e celebridades, estava no evento e claro, tentou beijar o Dr. Tancredo. 

Nós, que éramos fãs nos aos 70, 80 e 90, não tínhamos essa facilidade que a internet nos dá. Mas acontecia algo legal: a gente sempre descobria o endereço de outros fãs e assim, trocávamos material. Muitos desses materiais chegavam até nos, sem informações tais como: a fonte da notícia e a data em que a mesma foi publicada, pelo texto, sabíamos onde o recorte ficaria em nossos álbuns. Nunca imaginei que faria um trabalho como esse que faço aqui, mas acho que tais notícias não podem ficar de fora por falta de fonte e/ou data de publicação. As duas notas que serão publicadas logo abaixo é um desses casos, mas, se observar o texto, claramente a nota é desse período. Tenho vários recortes nessas condições. Caso você saiba a fonte e a data exata da notícia, me manda um e-mail para que eu possa aprimorar a informação. (Claudinei Sampaio)

Fafá estava muito feliz com a eleição de Tancredo Neves, esse era o princípio da mudança, mas só o princípio. Tancredo não poderia governar com leis oriundas à ditadura, isso tornaria a Nova República vulnerável a golpes. A luta por uma Constituinte Livre e Soberana, pela Anistia e pelas Diretas era parte integrante da luta mais geral contra a ditadura e pela democracia.

A Anistia Ampla, Geral e Irrestrita levou grandes contingentes de pessoas às praças públicas. As Diretas Já protagonizaram um movimento popular sem precedentes na história do Brasil. Com isto cresceram as reivindicações pelo fim do regime militar e pelo restabelecimento do Estado de Direito, com a convocação de uma Assembleia Constituinte.

Iniciava-se aí, um momento de grande mobilização dos diversos setores da sociedade. A Carta Magna era o instrumento jurídico que iria redefinir as novas regras de organização do Estado brasileiro. Mais uma vez, a cidadã Maria de Fátima abraçava mais uma causa popular, e em seus shows gritava: "Constituinte, Já! ".

Revista Manchete - Nº1.710 - 26/01/1985 - Entrevista de: Atenéia Feijó - Fotos:Carlos Humberto 

"O Globo" - Coluna de Hildegard Angel  13/02/1985

"O Globo" - 16/02/1985

E a "Musa das Diretas" foi majestade no carnaval de 1985 em Belém do Pará. Pela primeira vez na história do carnaval paraense, uma mulher puxava o samba enredo de uma escola de samba.  Fafá puxou o samba enredo "Sonho de Um Cabano" na Escola de Samba "Acadêmicos da Pedreira". O enredo falava sobre a "Cabanagem".

Ocorrida no Pará durante o Período Regencial, a Cabanagem foi uma rebelião de cunho social extremamente violenta, um dos maiores conflitos da história do Brasil: estima-se que cerca de 30% de toda a população da província do Grão-Pará tenha morrido no episódio. O nome da revolta deriva do fato de que a maior parte dos revoltosos vivia em cabanas, às margens dos rios.

Entre as causas da Cabanagem, é possível apontar dois pontos. O primeiro deles era a extrema pobreza, miséria, fome e péssimas condições de vida da população, aspecto que atingia em cheio os mais necessitados. Além disso, a insatisfação das elites locais com as decisões e a forma relegada com que o governo regencial tratava os assuntos relacionados à província ajudava a criar um clima completo de revolta. Ávidos por uma maior participação nas decisões do governo, esses membros das elites fazendeiras se sentiam totalmente abandonados e menosprezados pelo Príncipe Regente.

Liderados por Antônio Vinagre, os cabanos ocuparam Belém em 1835 e proclamaram Clemente Malcher como novo presidente da província. Este, todavia, acabou traindo o movimento ao fechar acordos de interesses do governo central. Tal realidade levou a uma nova luta que resultou na deposição de Malcher e na proclamação de Eduardo Angelim como novo presidente.

No entanto, a falta de um projeto de consolidação do novo governo enfraqueceu significativamente a mobilização, de forma que os revoltosos conseguiram permanecer no poder por apenas 10 meses. O governo central atacou impetuosamente os cabanos, tendo movido quatro navios para bombardear completamente a cidade de Belém. O resultado não poderia ser diferente: um verdadeiro massacre.

Diante do fim da Cabanagem e da vitória do governo, vários revoltosos fugiram e se esconderam no meio da selva. Não satisfeito, o brigadeiro Francisco José de Sousa Soares de Andréa, novo presidente do Grão-Pará, colocou seus homens para irem ao encalço dos cabanos fugitivos. Estes passaram a ser caçados como animais: havia quem achasse uma glória carregar colares de suas orelhas secas. Sem dúvidas, um dos mais sangrentos capítulos da história do Brasil.

Ouça o Samba "Sonho de Um Cabano" (Paulo André Barata/Alfredo Oliveira) com Fafá de Belém:

Jornal "O Liberal" (PA) - Fevereiro de 1985 

"Folha de São Paulo" - Painel - 17/02/1985

"O Globo" - 17/02/1985

E após as ferveções carnavalescas no circuito Rio/Belém. Fafá (Foto) entrava em estúdio para gravar seu segundo disco pela Som Livre e o oitavo de sua carreira: "Aprendizes da Esperança"

O Globo - 04/03/1985

Folha de São Paulo   09/03/1985

O Globo - 10/03/1985

"A noite em que o Brasil não dormiu"

"Após 20 anos de uma sucessão de generais no comando do Palácio do Planalto, a sociedade civil estava a poucas horas de dar mais um importante passo para assumir o poder político. Sua cabeça martelava: era preciso concluir a transição democrática. Na véspera da posse, entretanto, em 14 de março de 1985, às 22h15, Tancredo Neves, presidente da República eleito pelo Colégio Eleitoral em janeiro daquele ano, chegou ao Hospital de Base, em Brasília. Há dois dias as dores abdominais intermitentes se intensificaram. Os exames de sangue mais recentes apontavam para um quadro infeccioso agudo. Não só para o homem Tancredo, mas para o país, que um ano antes fora às ruas pedir Diretas-Já, iniciava-se a mais longa noite do amanhecer da Nova República.
O mal-estar físico de Tancredo Neves começara 15 dias antes. Ia e vinha. Desinformado de que corria contra o tempo pela vida, empurrava a ideia da cirurgia. "Tancredo receava que Figueiredo não desse posse a José Sarney. Havia ruídos de setores radicais buscando brechas para interromper o processo de transição", revela o neto e senador Aécio Neves (PSDB), então secretário particular do presidente eleito. O último general presidente da República, João Figueiredo, nutria profundo rancor por Sarney. O vice de Tancredo, "cristão-novo" no PMDB, era considerado por muitos militares "traidor" do regime. Ex-Arena, ex-PDS, egresso da Frente Liberal, Sarney filiara-se ao PMDB para formar com Tancredo a chapa presidencial da chamada Aliança Democrática, vitoriosa no Colégio Eleitoral em janeiro de 1985.
Foi quando chegou com a família à Granja do Riacho Fundo, por volta das 20h da véspera da posse, logo depois da missa solene celebrada no Santuário D. Bosco, que o quadro do presidente eleito se deteriorou. Tancredo começou a passar muito mal. "Estávamos jantando. Ele largou os talheres e foi para o quarto", conta Aécio, que correu para chamar os médicos. "Demorei mais de uma hora para localizá-los", explica, referindo-se ao fato de que os médicos estavam tranquilos e não esperavam um chamado de emergência. Em seu quarto, um Tancredo debilitado, dirigiu-se ao secretário particular: "Onde estão os atos ministeriais?", perguntou-lhe. "O chefe do gabinete Civil, José Hugo Castello Branco, havia deixado comigo esses atos de nomeação ministerial para publicação no Departamento de Imprensa Nacional. O presidente eleito estava trêmulo. Até a chegada dos médicos, teve tempo de ler um a um, efetivando cada nome, em um ato político da transição muito importante", lembra Aécio.
No momento em que Tancredo foi recebido no Hospital de Base de Brasília, Ulysses Guimarães, ícone da oposição à ditadura militar e da transição democrática - que havia sido eleito presidente da Câmara dos Deputados duas semanas antes - participava de jantar solene de confraternização com Mário Soares, então primeiro-ministro de Portugal, oferecido na embaixada portuguesa. Ali estava a cúpula e a bancada federal peemedebista. Foi Fernando Lyra, que seria nomeado ministro da Justiça, quem recebeu o telefonema de Aluízio Alves, indicado pelo presidente eleito para o Ministério da Administração. "Tancredo acaba de ser internado. Estou no Hospital de Base", conta Pimenta da Veiga (PSDB), então líder do PMDB. "Ficamos atônitos, preocupadíssimos", afirma ele.
Ulysses Guimarães, Fernando Henrique Cardoso e Pimenta da Veiga deixaram a embaixada de Portugal e tomaram o rumo do Hospital de Base. De outro canto da capital chegava Sarney, também informado. A notícia corria. José Hugo Castello Branco apareceu na sequência. Numa sala do hospital ao lado da suíte em que estava Tancredo, iniciou-se o debate. "A discussão era: se operasse, não tomaria posse. Como precisava operar, quem assumiria, o vice Sarney ou o presidente da Câmara, Ulysses? Ambos respondiam, apontando um para o outro: é você", discorre Pimenta da Veiga. A sugestão veio do general Leônidas Pires Gonçalves, futuro ministro do Exército, o primeiro convidado para compor o governo da Nova República. "O general fez, com tranquilidade, uma pergunta singela: o que diz a Constituição?", continua Pimenta da Veiga.
Ulysses começou a recitar o texto de cabeça, mas, antes de concluí-lo, pediu que abrissem a Constituição. O exemplar saiu do bolso de José Hugo Castello Branco. Por paradoxal que fosse - a consulta era feita à Emenda 1, promulgada em 1969, elaborada pela Junta Governativa Provisória, que assumira o poder após a trombose cerebral do general presidente Arthur da Costa e Silva. Estava em vigor a Carta de 1969. "Ficou claro que a posse deveria ser dada ao vice-presidente eleito José Sarney. Tancredo manifestou a Ulysses naquela noite a mesma opinião", revela José Augusto Ribeiro, jornalista e assessor de imprensa de Tancredo Neves da campanha presidencial ao Colégio Eleitoral iniciada em agosto de 1984. Após 15 anos de pesquisas, Ribeiro acaba de lançar o livro Tancredo Neves, a noite do destino. Naquela mesma noite, em outra das inúmeras reuniões, o jurista Afonso Arinos faria uma conclamação definitiva: "Sob o ponto de vista político e constitucional, Sarney foi eleito vice-presidente do Brasil, não vice-presidente de Tancredo. Portanto, ele toma posse como presidente".
Jurista Novos problemas surgiam. Um deles vinha da base paulista de sustentação ao governo da Nova República. Em ebulição e contrariamente ao entendimento do próprio Ulysses Guimarães, havia discordância com a posse de José Sarney. Queriam Ulysses. Para resolver este caso, um dos baldes de água foi lançado pelo próprio presidente da Câmara. Quando indagado por que aceitara e defendera a posse de Sarney tão rapidamente, Ulysses retrucou: "O Sarney chega aqui ao lado do seu jurista. Esse jurista é o ministro do Exército. Se eu não aceito a tese do jurista, a crise estava armada'', retrucou ele.
Restava ainda acalmar o irritado general presidente. "O futuro ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves nos havia dito, assim que chegara ao hospital: não se preocupem com a minha área, está tudo em paz", lembra Pimenta da Veiga. Mas a indisposição de Figueiredo com a possibilidade da posse de Sarney era grande. Segundo José Augusto Ribeiro, o desagrado de Figueiredo chegava a Francisco Dornelles (PP), hoje vice-governador do Rio de Janeiro, na ocasião secretário da Receita Federal de Figueiredo. Sobrinho de Tancredo, ele já fora anunciado como futuro ministro da Fazenda. "E quem informava Dornelles era o chefe da Casa Civil de Figueiredo, Leitão de Abreu, um importante interlocutor da Aliança Democrática", continua Ribeiro.
Para conversar com o chefe da Casa Civil de Figueiredo, Leitão de Abreu, foram Ulysses, Fernando Henrique Cardoso e o general Leônidas Gonçalves Pires. "Muito perturbado, Figueiredo chegara a sugerir a Walter Pires o recurso à força militar para impedir a posse de Sarney", afirma Ribeiro. O arroubo entrou para o anedotário da Nova República graças à indiscrição de Leitão de Abreu, que teria alertado Walter Pires: "O senhor não pode praticar atos como ministro do Exército desde a manhã de hoje, quando o Diário Oficial circulou com sua exoneração antecipada, como estava combinado".

Agonia Pelos corredores do Hospital de Base o movimento continuava intenso. Outra parte dos quadros da Nova República - Aureliano Chaves, Affonso Camargo, Marco Maciel e Humberto Lucena, além de dezenas de deputados médicos, em pequenos círculos, continuavam o debate sucessório. A família, apreensiva, aguardava a sinalização da equipe médica. Por volta das 23h, Francisco Dornelles foi escalado para acalmar Tancredo. "Dornelles disse-lhe que não haveria problema com a posse de Sarney. O presidente eleito, então, assentiu: se está garantido, podem fazer o que quiserem", revela José Augusto Ribeiro.
A todos, os médicos afirmavam que em dois ou três dias Tancredo teria alta. Estavam errados. Ali se abria uma longa madrugada de uma agonia sem volta. Na manhã seguinte, 15 de março de 1985, a posse de José Sarney inaugurou o primeiro governo civil do mais longo e estável período democrático brasileiro. Sarney recebeu de um funcionário do Palácio do Planalto a faixa presidencial. Figueiredo saiu pelos fundos.
E a notícia chegou, com pesar, aos lares brasileiros".  (
Texto de Bertha Maakaroun) 

Saiba mais:

No dia 15/03/1985, o Vice-Presidente José Sarney toma posse como Presidente interino do Brasil.

"O Globo" - 16/03/1985

"Manifestação no Congresso Nacional em comemoração à posse de Sarney (E). População homenageou Tancredo, que foi hospitalizado na noite anterior e não pôde tomar posse." Brasília - 15 de Março de 1985.

"A análise desse momento peculiar da história do Brasil é o tema do "Globo Repórter Especial" de domingo*, um programa tão informal e cívico quanto ao momento retratado nas pessoas, nas cidades, colorindo acontecimentos como um festival de rock ou um desfile de carnaval, o verde e o amarelo será apresentado também no cinema como em "Pátria Amada" ou "Muda Brasil"e, na música, desde o rock brasileiro até o Hino Nacional. No caso do Hino, O Globo Repórter apresentará tanto interpretações clássicas da composição, quanto sua execução por trios elétricos, baterias de escolas de samba, pelo violão de Waltel Blanco, ou na voz da cantora Fafá de Belém, musa de quase 50 comícios , Fafá gravou especialmente para o programa, nos estúdios da Som Livre, uma interpretação intensa e emocionada do Hino Nacional Brasileiro".
(Jornal O Globo - Segundo Caderno - 15/03/1985).

* Por conta da internação do Presidente Tancredo Neves, a Rede Globo suspendeu a exibição desta edição do Globo Repórter. Ficou decidido que seria exibido quando Tancredo assumisse a Presidência da República, o que não aconteceu e o programa ficou nos arquivos da Globo.

"O Globo" - 21/03/1985

"Depois da festa de Ruth Escobar em homenagem a Daniel Ortega, Presidente da Nicarágua, comenta-se que Fafá de Belém vai virar nome de praça em Manágua" ("Folha de São Paulo" Ilustrada - 24/03/1985)

"Folha de São Paulo" - Coluna de: Tavares de Miranda - 30/03/1985

"O Globo" - 01/04/1985

"O Globo" - 09/04/1985

Assista ao comercial da Cerveja Brahma, gravado com Fafá de Belém: 

A Revista Playboy, número 117, distribuída no mês de abril de 1985, era com certeza um dos maiores sonhos de consumo dos fãs da minha geração. Procurei, sem sucesso, durante anos. Em 1998, a presidente do Fã-clube "Tua Presença" (Érica Távora), a encontrou. Érica teve a paciência de digitar todo o texto e depois enviar aos fãs. Ano passado, Marcelo Cal publicou no grupo dos fãs da Fafá, uma página desta entrevista, o texto era pouco legível, mas deu para trabalhar as fotos. Abaixo, a entrevista.

Revista Playboy - Nº 117 - 15/04/1985

21 de Abril de 1985, morre Tancredo Neves.

Devido às complicações cirúrgicas ocorridas - para o que concorreram as péssimas condições ambientais do Hospital de Base do Distrito Federal, que estava com a Unidade de Tratamento Intensivo demolida, em obras -, o estado de saúde de Tancredo Neves se agravou, e teve de ser transferido em 26 de março para o Hospital das Clínicas de São Paulo. Durante todo o período em que ficou internado, Tancredo sofreu sete cirurgias. No entanto, em 21 de abril, Tancredo faleceu vítima de infecção generalizada, aos 75 anos.

"O Globo" - 22/04/1985

"Folha de São Paulo"  22/04/1985

"O Globo" - 22/04/1985

Assista ao vídeo com Fafá cantando o "Hino Nacional Brasileiro", que foi exibido no programa "Fantástico" na fatídica noite do dia 21/04/1985.


"O Globo" - 23/04/1985

Revista Manchete - 26/04/1985

"O Globo" - 28/04/1985

"O Globo" - Col. de Artur da Távola - 28/04/1985

Assista ao documentário "Tancredo - A Travessia" (2011). O filme tem roteiro e direção de Silvio Tendler, supervisão do jornalista Roberto D'Avila e produção da Intervideo Digital. Foram entrevistadas 28 personalidades - políticos, jornalistas, artistas e familiares - que conviveram intimamente com o presidente Tancredo e foram, ao lado dele, protagonistas dos mais importantes fatos políticos ocorridos no Brasil desde a última metade do século 20. (No documentário, há uma versão atualizada do Hino Nacional, bem como depoimentos com Fafá de Belém).

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Maio de 1985:

23/05/1985 - Programa "Globo Repórter" com o documentário "A Amazônia de Jacques Cousteau", que foi gravado em 1983 e onde Fafá de Belém canta "O Boto" - TV Globo
24/05/1985 - "Jornal Hoje" - Fafá de Belém foi entrevistada por Leda Nagle. - TV. Globo
26/05/1985 - No programa "Fantástico", Fafá fala do seu novo disco. O programa exibe dois vídeos-clipes com as músicas: "Hino Nacional Brasileiro" e "Aprendizes da Esperança". - TV Globo

Quando Fafá entrou em estúdio para gravar o "Aprendizes da Esperança", seu 8º disco de carreira, tinha no projeto original 10 canções e estas canções tinham um propósito: revivenciar as emoções das suas andanças nas campanhas "Diretas Já" e na campanha de Tancredo Neves para a Presidência, bem como, cantar para o povo, aquele que a amava, mas que não tinha intimidade com o seu repertório. A cantora havia conhecido de perto um Brasil que era longe de sua realidade, mas que, paradoxalmente, estava em seu coração. Esse contato com o povo fez com que a artista começasse a enxergar novos horizontes, novas possibilidades.

Como já vimos, ainda no mês de março, a Rede Globo de Televisão havia gravado um "Globo Repórter" especial, que seria exibido na semana da posse do Dr. Tancredo Neves. O programa traria à tona os símbolos pátrios e coube a Fafá fazer uma nova leitura do Hino Nacional Brasileiro. Diante dos acontecimentos, o programa acabou não indo ao ar, mas a interpretação do Hino, com Fafá, emocionou toda a nação, exceto aos conservadores - eles, os conservadores, adoram o atraso, odeiam o novo, odeiam a diversidade e até a liberdade, dos outros, evidentemente.

Os conservadores usam sempre da mesma arma, a de desacreditar e ou subjugar o que é novo, diferente, plural. E foi essa arma usada por alguns colunistas de grandes jornais. Afinal, como dizia o mestre Tom Jobim: "Fazer sucesso no Brasil, é ofensa pessoal". Fafá, mais uma vez não se deixou intimidar e entrou na justiça para ter o direito de cantar o Hino Nacional Brasileiro. Conseguiu incluí-lo no seu disco, mas também conseguiu despertar o ódio e a ira dos que não queriam o novo, como veremos mais adiante. 

"Folha de São Paulo" - Cartas (O povo defende Fafá) - 04/05/1985

"Folha de São Paulo" - Folhetim - 05/05/1985

Revista Contigo - Nº 502 - 06/05/1985  A polêmica do Hino. ( Infelizmente falta a ultima página. Aceitamos doações!)

Revista Manchete - nº 1.727 - Maio de 1985

"Folha de São Paulo" - 12/05/1985

"Folha de São Paulo" - 18/05/1985

No dia 19 de Maio de 1985, foi ao ar pelo programa "Fantástico" - Rede Globo - O clipe da campanha "Nordeste Já" com a música "Chega de Mágoa". O projeto, batizado de ''NORDESTE JÁ'', foi uma realização do Sindicato dos Músicos Profissionais do Município do Rio de Janeiro, rendeu a gravação de um compacto simples com a participação dos maiores nomes do canto e do instrumental nacional. Assista:

"O Globo" - 21/05/1985

Revista Amiga Nº 783 - 22/05/1985

"O Globo" - 23/05/1985

Não pretendo colocar neste site as publicações que tinham como objetivo execrar a imagem de Fafá de Belém. Acredito e apoio a liberdade de expressão, mas sou avesso ao discurso de ódio. Mas, para que você, fã da Fafá, possa ter uma noção do que alguns colunistas passaram a falar dela, sem falar no boato de pé frio que já começava também a ganhar corpo em algumas colunas, veja abaixo esse texto publicado no Jornal "Folha de São Paulo" - Ilustrada - Pagina 44 do dia 23/05/1985. Fafá é uma mulher inteligente, sabia que, se revidasse, o chumbo poderia tomar grandes proporções. Preferiu atravessar o vale em silêncio e deixar os cães ladrarem.

"O Globo" - 26/05/1985

"Folha de São Paulo" - 09/06/1985

"O Globo" - 11/06/1985

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Junho de 1985:

08/06/1985 - Programa "Cassino do Chacrinha". Fafá cantou o "Hino Nacional Brasileiro" e "Aprendizes da Esperança" - TV Gobo
29/06/1985 - Programa "Cassino do Chacrinha" 0 TV Globo

No dia 10 de junho de 1985, começa a chegar às lojas "Aprendizes da esperança", 8º disco de Fafá de Belém. 

"Aprendizes da Esperança" - 1985 - Capa

"Aprendizes da Esperança" - 1985 - Contracapa

Encarte: Pôster, Letras e Ficha Técnica:

Músicas:

"Rastro de Sol" (Erich Bulling/Sérgio Sá)

"Represa" (Sérgio Sá)

"Nascente/Poente" (Erich Bulling/John D'Andrea/Gilberto Gil)

"Mambembe" (Chico Buarque)

"Flor da Pele" (Sérgio Sá)

"Aprendizes da Esperança" (Kleiton Ramil/Beto Fogaça)

"Coração Aprendiz" (Erich Bulling/Ronaldo Bastos)

"Doce Magia" (Erich Bulling/Alec Constandinos/ Fafá de Belém)

Lambadas: "Ovelha Desgarrada"(Francis Dalva), "Só Pra Você" (Carlos Santos/Sullema/Pinduca), "Não Chore Não" (Carlos Santos/Jomil), "O Remador" (Carlos Santos/Pedro Américo/Alípio Martins), "Bom Barqueiro" (Carlos Santos/Pedro Américo).

"Sol de Corações" (Erich Bulling/Al Makay/ Fernando Brant)

"Hino Nacional Brasileiro" (Joaquim Osório Duque Estrada/Francisco Manoel da Silva)

Imprensa:

No dia 10 de junho de 1985, começava também a ser distribuído o compacto simples "Nordeste Já" onde Fafá participa da música "Chega de Mágoa".

"O Globo" - 13/06/1985 ("Aprendizes da Esperança" tem edição esgotada dois dias após lançamento!)

"Folha de São Paulo" - 14/06/1985 

Fafá de Belém foi a grande atração na inauguração do estádio Pinheirão, na cidade de Curitiba (PR), em 15 de Junho de 1985.

Revista Manchete - Nº 1.731 - 22/06/1985 - Texto: Ronaldo Bôscoli / Foto: Arnaldo Bento

No dia 24 de Junho de 1985, estreou pela Rede Globo, a novela "Roque Santeiro". A música "Coração Aprendiz" (Erich Bulling/Ronaldo Bastos), com Fafá de Belém entrou na trilha e era o tema dos personagens Tânia (Lídia Brondi) e Roberto Mathias (Fábio Jr.). Ouça:

E no porão da ditadura, ainda havia ratos...

Pois é, a Nova República estava ai, mas o SNI (Serviço Nacional de Informações), um órgão da ditadura, queria repreender Fafá de Belém:
"Fafá de Belém emocionou o país, cantando uma versão grave do Hino Nacional, que virou uma espécie de réquiem para Tancredo. No dia da morte de Tancredo, ela apareceu no programa "Fantástico" da Rede Globo de Televisão, cantando a sua trágica versão do hino. "Eu fiz a gravação duas semanas antes dele morrer", observa a artista, que se emociona e não esconde o choro ao falar de Tancredo.
A versão de Fafá para o Hino Nacional pode ter emocionado o restante do país, mas desagradou aos arapongas do "Serviço Nacional de Informações" (SNI). Um documento confidencial produzido pela Polícia Federal, questionou quem teria dado autorização para que a cantora executasse à sua maneira o hino na TV. "Desde a primeira vez que a gravação do Hino Nacional, cantado por Fafá de Belém, foi divulgada pela Rede Globo de Televisão, por ocasião da morte de Tancredo Neves, procura-se obter dados a respeito do processo que deu origem à sua liberação", diz o informe nº 748 produzido em 1º de maio de 1985, menos de duas semanas depois da morte do presidente eleito.
No documento, a PF observa que a liberação do Hino Nacional teria que passar pela Divisão de Censura e Diversões Públicas (DCDP). A informação era a de que o processo tinha sido autorizado pelo secretário-geral do Ministério da Justiça, cujo nome não é citado no documento. A PF tentou conseguir saber, em vão, quem deu o parecer sobre a autorização. "Não se obteve êxito na busca, porque o respectivo processo ainda se encontra em poder do Ministério da Justiça", relata o informe.
Fonte: www.fatoonline.com.br

Após a estréia da novela "Roque Santeiro", o Single de "Coração Aprendiz" começou a ser distribuído nas rádios de todo o país.

"Folha de São Paulo" - 27/06/1985

Por conta da gravação do "Hino Nacional Brasileiro", Fafá de Belém sofria uma investigação do SNI, uma ação popular no Supremo e uma campanha de alguns colunistas de jornais e revistas que tentavam lhe desacreditar como artista e como cidadã. O termo "Ação Popular" citado aqui, é uma força de expressão, já que não era o povo que movia tal ação e sim uma parte conservadora da população que não aceitava a "Nova República", uma parte que se beneficiava das regalias, à custa de sangue, do governo militar. Afinal, Fafá foi a referência tanto das "Diretas Já", quanto da campanha de Tancredo Neves. No princípio, as pessoas iam aos comícios para ver a Fafá e era lá que tomávamos consciência da necessidade das mudanças. A ala conservadora passou a odiá-la por isso. Mas a cantora, mais uma vez, não se deixou se afetar por isso, o povo a acolhia. Seu disco já era um dos mais vendidos no período, (Ganhou disco de ouro após um mês do lançamento. Algumas fontes dizem que foi o primeiro, outras afirmavam que foi com o disco "Água", lançado em 1977 que Fafá conquistou o seu primeiro disco de ouro. Até hoje não consegui desvendar isso) o que cada vez mais irritava os conservadores. Tiveram então a sórdida ideia de criar o terrível boato do "pé frio". A artista sofreu com isso, movidos pela suspeição, muito diretores de clubes cancelaram shows já contratados. Mas Fafá não se rendia, não retrucava, sabia que era isso que os conservadores queriam, essa indiferença da cantora para com eles, os deixavam mais irritados, furiosos, eu diria. 

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Julho de 1985:

04/07/1985 - Reapresentação do show "Entre Amigos", gravado em novembro de 1984 - TV Bandeirantes
14/07/1985 - Série "Festival dos Festivais" com o tema "Tropicalismo" No especial, Fafá cantou "Aprendizes da Esperança" - TV Globo
21/07/1985 - Programa "Vídeo Show". Nesta edição, o programa exibiu o clipe de Fafá de Belém "Filho da Bahia", gravado originalmente em 1975. - TV Globo

"O Globo" - 14/07/1985

"Folha de São Paulo" - 15/07/1985

"O Globo" - 21/07/1985

Na "Eleições 1985" para a prefeitura da cidade de São Paulo, Fafá deu inicialmente seu apoio ao candidato petista Eduardo Suplicy, mas depois voltou atras e acabou apoiando o Fernando Henrique (PMDB). Veja no quadro, algumas notas a respeito.

"O Globo" - 26/07/1985

"O Globo" - 28/07/1985

"O Globo" - 30/07/1985

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Agosto de 1985:

01/08/1985 - Programa "Som Maior" - TV Manchete
03/08/1985 - Programa "Cassino do Chacrinha - Especial Melhores do Mês de Julho" - TV Globo
23/08/1985 - Programa "Globo de Ouro" coma música: "Coração Aprendiz" - TV Globo
24/08/1985 - Programa "Cassino do Chacrinha" - TV. Globo
24/08/1985 - Programa "Perdidos na Noite", Apresentação de Fausto Silva - TV Record
25/08/1985 - Programa "Vídeo em Manchete" (Musical) - TV Manchete

Revista "Amiga" - nº 794 - 07/08/1985

"O Globo" - 07/08/1985

No dia 09 de Agosto, dia de seu aniversário (Fafá completava neste dia, 29 anos de vida), aconteceu a estréia da turnê do show "Aprendizes da Esperança" no Teatro Nacional, em Brasília. A Classe política foi em peso para prestigiar a cantora.  

Anúncio vinculado no jornal "Folha de São Paulo" em 24/08/1985

"O Globo" - Hoje na TV - 25/08/1985

Notinha maldosa...

"O Globo" - 29/08/1985

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Setembro de 1985:

07/09/1985 - Programa "Cassino do Chacrinha" Especial "Melhores do mês de Agosto" - TV Globo.
15/09/1985 - Programa "Fantástico" no quadro: "Como as pessoas famosas passam os seus finais de semana" - TV Globo.

"Folha de São Paulo" - 03/09/1985

Revista "Amiga" - 04/09/1985

"O Globo" - 06/09/1985

No dia 10 de setembro de 1985, Fafá de Belém estreava, no Canecão (RJ) seu show "Aprendizes da Esperança". O show ficou em cartaz do dia 10 ao dia 29. Casa sempre lotada, várias personalidades do mundo artístico e intelectual foram prestigiar a cantora. Teve até uma personalidade internacional, a cantora alemã Nina Hagem, que ficou encantada e depois do show foi parabenizar a Fafá no camarim.

Chamo a atenção para um equívoco da mídia na época. Afirmavam que Fafá estava afastada dos palcos carioca desde a "malsucedida" temporada do show "Crença", o que não é verdade. O show que foi interrompido foi o "Banho de Cheiro" em abril de 1979. O show "Crença" foi sucesso absoluto. "Crença" estreou em 22/10/1980 e ficaria apenas 15 dias em cartaz, mas o sucesso foi tanto, que se estendeu até fevereiro de 1981. A última temporada da artista no Rio de Janeiro, foi com o show "Essencial" que ficou em cartaz de 21 a 25/06/1982 no Teatro João Caetano, com casa lotada em todas as apresentações.

Imprensa

Enquanto o show "Aprendizes da Esperança" lotava diariamente o Canecão, vários fatos marcavam a trajetória da cantora. O "Projeto Aquarius", uma realização de O Globo" e da Sul América Seguros a convidou para o espetáculo "Sinfonia dos Dois Mundos", onde ao lado do barítono Carmo Barbosa e das "Meninas de Petrópolis" foram regidos pelo grande Maestro Isaac Karabtcheysky. Foi um belíssimo espetáculo.

A cantora também recebeu um convite do Primeiro Ministro de Portugal, Mário Soares, para que ela ajudasse na campanha do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas portuguesas.

Enquanto isso, alguns colunistas continuavam tentando desqualifica-la junto à opinião pública, mas não estava funcionando muito bem, mas eles insistiam...

"O Globo" - 15/09/1985

"O Globo" - 16/09/1985

"O Globo" - 17/09/1985

Veja as principais notícias sobre o espetáculo "Sinfonia dos Dois Mundos", produzido pelo "Projeto Aquarius".



Em 2014, Fafá de Belém deu um depoimento para um documentário sobre D. Hélder. Neste documentário, a cantora fala sobre a "Sinfonia Dos Dois Mundos" e de sua participação. Assista: 

"Folha de São Paulo" - 23/09/1985 (Notinha maldosa...)

"O Globo" 28/09/1985

Enquanto as notas maledicentes eram publicadas por alguns colunistas de jornais e revistas, Fafá trabalhava. Foi a Portugal, onde fez campanha para o Primeiro Ministro Mário Soares (07/12/1924 - 07/01/2017). É certo que o PS teve uma das piores votações da sua história, mas Mário Soares foi eleito. O curioso é que, alguns colunistas omitiam a vitória de Mário Soares e davam ênfase a fraca votação obtida pelo PS. Em minha pesquisa, encontrei o parágrafo abaixo no site www.jn.pt :

"Deputado do PS à Assembleia da República, eleito pelo círculo de Lisboa, entre 1976 e 1986 (foi eleito pela primeira vez em 25 de Abril de 1976 e sucessivamente reeleito em 2 de dezembro de 1979, em 5 de outubro de 1980, em 25 de Abril de 1983 e em 6 de outubro de 1985) ". (Fonte: www.jn.pt ). Em 09 de março de 1985, Mário Soares assumiria a Presidência da República de Portugal.

A cantora voltava feliz para o Brasil. Havia divulgado, com sucesso, o seu trabalho em terras lusitanas, foi aí que começou a história de sucesso de Fafá em Portugal. O sucesso foi tanto, que pela primeira vez na história da Som Livre, o disco de um contratado pela gravadora era lançado em outro país.

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Outubro de 1985: 

18/10/1985 - Programa "Sexta Super" - Reapresentação do especial "Mulher 80" - TV. Globo
25/10/1985 - Programa "Globo de Ouro" onde cantou "Doce Magia" - TV Globo

"O Estado de São Paulo" - 01/10/1985

"Folha de São Paulo" - 09/10/1985

"O Estado de São Paulo" - 15/10/1985

"O Globo" - 16/10/1985

"Folha de São Paulo" - 21/10/1985

No dia 21/10/1985 estreou pela Rede Globo, no horário das 18 horas, a novela "De Quina pra Lua". A música "Doce Magia" gravada por Fafá de Belém, fez parte da trilha sonora da novela. Ouça: 

"Folha de São Paulo" - 26/10/1985

"Folha de São Paulo" - 26/10/1985

"O Globo" - 30/10/1985

O mês de novembro de 1985, foi bastante intenso para Fafá de Belém. As notas maledicentes continuavam sendo publicadas, ao ponto de leitores mandarem cartas para jornais e revistas pedindo que parassem de praticar tamanha covardia. Mas isso ainda duraria um certo tempo.

A cantora também participou intensamente das "Eleições 1985", onde deu seu apoio a candidatos a prefeito de nove capitais, 06 deles ganharam e 02 deles perderam: o candidato de São Luis (MA) e o candidato de São Paulo (SP). Os que ganharam foram ignorados por alguns colunistas, que preferiram dar ênfase aos dois derrotados, e colocar a culpa na artista.

Mas Fafá não se deixava abalar, preferia trabalhar do que entrar no mérito de questões mesquinhas. No dia 21 de novembro de 1985, o show "Aprendizes da Esperança" estreia para uma pequena temporada no "Palace" em São Paulo, temporada está, que foi sucesso absoluto, para desgraça dos boateiros de plantão.

"Folha de São Paulo" -  05/11/1985

"O Globo" - 07/11/1985

Anúncio do Comício em São Paulo em 10/11/1985

"Folha de São Paulo" - 11/11/1985

"O Globo" - 11/11/1985

"Folha de São Paulo" - 13/11/1985

"Folha de São Paulo" - 17/11/1985

"O Globo" - 18/11/1985

No dia 21 de novembro de 1985, Fafá de Belém estreou o seu show "Aprendizes da Esperança"no Palace, na capital paulista. O espetáculo ficou em cartaz até o dia 24 de novembro daquele ano e foi sucesso de público e de crítica. Veja abaixo as notícias pertinentes a temporada.

Imprensa:

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de dezembro de 1985:

31/12/1985 - Programa "Globo de Ouro Especial - Os melhores de 1985" - TV. Globo

Chamada da Rede Globo para o Programa "Globo de Ouro Especial - Os melhores de 1985", que foi ao ar no dia 31/12/1985. Assista:

Como vimos, o ano de 1985 foi extremamente desgastante, tanto no aspecto físico, quanto emocional. Fafá precisava se desligar um pouco e curtir mais a filha Mariana Belém (foto), que já estava próximo a fazer 5 anos. Precisava da energia positiva da casa dos pais e foi isso que fez. Enquanto fazia uma turnê de "Aprendizes da Esperança" pelo Norte/Nordeste, Belém foi seu ponto de apoio.

Em uma dessas apresentações em Recife (PE), encontrou o amigo Michael Sullivam, que a apresentou ao irmão, também compositor, Leonardo Sullivan. Leonardo lhe apresentou seu trabalho, entre eles o LP "Memórias" lançado por ele em 1982. Fafá ficou bastante emocionada com a faixa-título do disco e a gravou em uma fita K7.

Passou o Natal na casa dos pais e até final de fevereiro de 1986, só ia ao Rio para cumprir compromissos e depois para desfilar na Escola de Samba "Caprichosos de Pilares". A produção do seu próximo disco começaria no mês de março.

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Janeiro de 1986:

18/01/1986 - Programa "Cassino do Chacrinha" onde cantou o sucesso "Doce Magia" - TV. Globo

Revista "Contigo" - 06/01/1986

"O Globo" 10/01/1986

"O Globo" - 11/01/1986

"Folha de São Paulo" - 13/01/1986

"Folha de São Paulo" - 19/01/1986

"O Globo" - 20/01/1986

Agenda: Fafá na TV (Eixo Rio-São Paulo) no mês de Fevereiro de 1986: 

09/02/1986 - Entrevista na "Fantástico", cujo tema era: "As fantasias de carnaval da minha infância"  TV Globo

No carnaval de 1986, a foliã Fafá de Belém se dividiu entre o carnaval paraense, desfilou no Bloco " Rancho - Não posso me amofina" e o carnaval carioca, desfilando na Escola de Samba "Caprichosos de Pilares" que ficou em 9º lugar. Veja abaixo, as notícias sobre Fafá de Belém no carnaval 1986 e o vídeo com um trecho do desfile da "Caprichosos de Pilares":

"O Globo" - 19/02/1986

"O Globo" - 25/02/1986

Recorte sem fonte - 02/1986

E assim, chegamos ao final do período "Aprendizes da Esperança". Fafá de Belém, a "Musa da Mudança", queria respirar outros ares, navegar outros mares... Queria atrever-se. Estava na hora de produzir um novo trabalho, trilhar novos caminhos, desconstruir, por completo, a sua formação burguesa. O saldo das "Diretas" e da campanha "Pró-Tancredo", fez com que a cantora descobrisse o Brasil, descobrisse o sentimento que emana do povo e era para esse povo que ela queria cantar, dividir suas dores, emoções e esperança.

Texto Narrativo: Claudinei Sampaio

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