Infância e Adolescência - Fatos&Fotos

É que nessa cidade, as mangueiras falam sempre em ti... (Trecho da música: "Os Passa Vida" (Osmar Jr./Rambolde Campos) - CD "Do Tamanho Certo Para o Meu Sorriso" - Joia Moderna - 2015)

A cantora Fafá de Belém, ou Maria de Fátima Palha de Figueiredo, nasceu em 09 de agosto de 1956 na cidade de Belém do Pará. Filha do advogado e bancário Joaquim de Figueiredo (Seu Fifi) - falecido em 1997 - e de Eneida Palha Figueiredo, filha de uma família de políticos da região (Dona Dê, como era chamada, faleceu em 2010),

Fafá pertencia a uma família de classe média-alta da capital paraense e é a caçula e única filha mulher de uma família de mais três irmãos. Teve uma infância livre e feliz. Gostava mais das brincadeiras ditas "de menino", como: empinar pipa, jogar bola de gude e subir em árvores.

Ficava brava quando a chamavam pelo apelido de "repolho", Fafá era gordinha e branquinha, daí a comparação com a verdura. Odiava também quando sua tia Irene a levava para cortar os cabelos no salão da Madame Azevedo. Fora isso, seu sorriso já era sua marca registrada. Cedo, Fafá interessou-se por música e teve como referência musical um repertório eclético. Em sua casa se ouvia Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, Chico Buarque, Núbia Lafayete, Jovem Guarda e as famosas Big Bands . 

Fafá de Belém na "Primeira Comunhão", com aproximadamente 9 anos.

Fafá de Belém com aproximadamente 5 anos de idade.

Seu nome foi dado pelo pai, por causa de uma promessa feita a Nossa Senhora de Fátima, em função de ter se curado da febre tifo, numa época de poucos recursos médicos na região Norte. Em 1962 a família se mudou para São Paulo para que sua mãe pudesse se tratar de um bico-de-papagaio, o tratamento durou dois anos e em 1964 a família volta para Belém.

A casa de Fafá era ponto de reuniões de amigos e familiares, onde se ouvia musica e se discutia politica. Foi em umas dessas reuniões que Fafá, então com 9 anos, juntou-se aos primos para cantar "Eu e a Brisa" obra-prima de Johnny Alf consagrada por Maysa. O primo, Armando, que tocava o violão, foi pedindo silêncio a todos, queria apenas ouvir ela: "Nossa, deu um frio na barriga... Aquele silencio e eu cantando sozinha! O Armando disse: "Temos uma cantora na família!". Fiquei tão sem jeito..." Recorda. Mas esse "sem jeito" não durou muito tempo. Com doze anos de idade, saia de casa a noite, pulando a janela para fazer serenata até as quatro da manhã.


Depoimento de Fafá de Belém a revista Veja São Paulo de 27/01/2010 sobre a sua infância na capital paulista.

Com aproximadamente 7 anos de idade.

Também da época em que a família morou em São Paulo. Na imagem superior com a mãe D. Eneida e os irmãos: Kim, Nelson e Sérgio. Na imagem inferior esquerda, também com os irmãos e o pai, Sr. Joaquim. Na imagem abaixo com, os já citados, irmãos.

No final de 1969 a família foi morar no Rio de Janeiro e em 1972 voltaram para Belém. Nessa época, Fafá mantinha uma forte amizade com Cláudio, filho de Jocelyn Brasil, amigo do Ruy Barata. Já próximo a sua volta para Belém, Cláudio, que estava trabalhando na produção do filme "Como é boa a nossa empregada", pediu uma ajuda a amiga. É que a verba do filme havia acabado e não tinham mais dinheiro para gravar a trilha sonora.

O jornalista José Itamar de Freitas, ex-diretor do programa "Fantástico" (Rede Globo), havia composto duas músicas para o longa, Cláudio pediu então para Fafá que gravasse "Grilo na Cuca". Fafá tinha 14 anos, e pela primeira vez, entrava em um estúdio.

"Como é Boa Nossa Empregada", com direção de Ismar Porto e Victor Di Mello, estreou em abril de 1973 no eixo Rio-São Paulo e depois foi chegando aos outros estados. O longa se divide em três histórias. A música gravada por Fafá foi o tema do personagem vivido pelo ator Stepan Nercessiam, que vivia o personagem Bebeto. Bebeto tinha uma tara incontrolável por empregadas domésticas. "Como é boa a nossa empregada" foi umas das pornochanchadas mais assistidas no ano de 1973. Infelizmente não foi comercializada uma trilha sonora, mas, sege abaixo o registro da voz da Fafá cantando um trecho de "Grilo na Cuca":


Em 1972 a família Moura Palha voltou para Belém. Fafá desde os 12 anos já tinha um corpo de mulher e comprar roupas prontas era um inferno! Se ficava bom na cintura, apertava-lhe os seios, se ficava confortável nos seios, ficava frouxo na cintura. Foi quando ela foi ao cinema assistir um filme com Sophia Loren e ao perceber a semelhança com o seu biótipo pensou: "Yes I can!" Á partir daí sua mãe, começa a costurar os modelitos desenhados pela própria Fafá.

Naquela época, não havia muito o que se fazer em Belém, só restava a Fafá, desfilar com sua grife e causar, depois das chuvas, nos finais de tarde da cidade. O ponto de encontro da galera era um bar chamado "Tonga", onde todos ficavam cantando até as 20 horas, depois não podia, pois, a grande maioria eram menores e o juizado não dava mole.

Foi nessa época que, acompanhando o Quinteto Violado, chegou em Belém o produtor Roberto Santana. Alguns amigos comentaram com ele sobre o talento de Fafá e Roberto foi ver de perto. Chegou no bar exatamente quando Fafá cantava "Vapor Barato"(Jards Macalé e Waly Salomão). Experiente, Roberto reconheceu imediatamente o talento que estava a sua frente, e quando ela terminou de cantar ele lhe fez um elogio: "Você canta muito bem!", Fafá com cara de poucos amigos respondeu secamente: "Eu sei!" Mas o jeito bugro da menina não o intimidou: "Você poderia se tornar uma cantora profissional". E ela, mais enfezada ainda, pois achava que se tratava de uma cantada, respondeu: "Vá falar com meu pai!" e saiu do bar. E ele foi. Ela ficou muito surpresa ao chegar em casa e ver Roberto Santana conversando animadamente com o Sr. Joaquim. Ouviu bem quando seu pai disse: "Quando ela ficar de maior, se ela quiser trilhar por esse caminho, terá o meu apoio, mas só quando ficar de maior". Antes de ir embora, Roberto Santana deixou o seu contato no Rio, caso se decidisse pela carreira artística. Fafá sempre gostou de cantar, mas nunca havia imaginado se tornar uma cantora, achava isso tão longe da sua realidade. Mas, a partir deste episódio, começou a pensar seriamente na possibilidade. 

Fafá com aproximadamente 14 anos de idade, em frente a sua casa em Belém.

1972: Acompanhando o Quinteto Violado, chegou em Belém o produtor Roberto Santana (Foto). Alguns amigos comentaram com ele sobre o talento de Fafá e Roberto foi ver de perto. Chegou no bar exatamente quando Fafá cantava "Vapor Barato"( Jards Macalé e Waly Salomão). Experiente, Roberto reconheceu imediatamente o talento que estava a sua frente, e quando ela terminou de cantar ele lhe fez um elogio: "Você canta muito bem!", Fafá com cara de poucos amigos respondeu secamente: "Eu sei!" Mas o jeito bugro da menina não o intimidou: "Você poderia se tornar uma cantora profissional". e ela, mais enfezada ainda, pois achava que se tratava de uma cantada, respondeu: "Vá falar com meu pai!" e saiu do bar. E ele foi. Ela ficou muito surpresa ao chegar em casa e ver Roberto Santana conversando animadamente com o Sr. Joaquim. Ouviu bem quando seu pai disse: "Quando ela ficar de maior, se ela quiser trilhar por esse caminho, terá o meu apoio, mas só quando ficar de maior". Antes de ir embora, Roberto Santana deixou o seu contato no Rio, caso se decidisse pela carreira artística.

1972: Fafá de Belém entra no "Grupo Experiência de Teatro", onde participa no musical "Tem Muita Goma no Meu Tacacá" dirigido por Geraldo Sales. O espetáculo era uma sátira à política da região. Foi encenado no Teatro da Paz, cujo palco todo artista paraense sonha em pisar. O figurino da Fafá era cheio de anáguas, para sorte dela, pois ficou tão nervosa que fez "pipi"em cena. Na Foto: Geraldo Salles, Vilar Ferreira, Jamil Damous, Fafá de Belém, Kim Figueiredo e Kzam Gama.

1973: Aos poucos a possibilidade de ser cantora ia ganhando forças. Neste mesmo ano, Fafá de Belém fez um show no Iate Clube de Belém.

Tempos depois, entra no "Grupo Experiência de Teatro", onde junto com o ator e amigo Cacá Carvalho, participa no musical "Tem Muita Goma no Meu Tacacá", uma sátira à política da região. O espetáculo foi encenado no Teatro da Paz, cujo palco todo artista paraense sonha em pisar. O figurino da Fafá era cheio de anáguas, para sorte dela, pois ficou tão nervosa que fez "pipi"em cena. Aos poucos o sonho de ser cantora ia ganhando forças. Neste mesmo ano fez um show no Iate Clube de Belém. 

1974: Fafá de Belém descola uma participação como Backing Vocal no show do Zé Rodrix, que acontecia na Boate Monsieur Pujol e também no Teatro da lagoa no Rio de Janeiro.

No show de Zé Rodrix, que estreou no dia 03/04/1974, Fafá de Belém e a atriz Tamara Taxmam faziam o Backing, mas Fafá logo começaria a se destacar e no intervalo, passa a cantar "Casa no Campo" (Composta por Rodrix e imortalizada por Elis Regina).

Nessa época, o seu irmão, e também músico, Sérgio Figueiredo, estava morando no Rio de Janeiro, onde ganhava a vida tocando na noite. Fafá convence a família a deixá-la ir visitar o irmão, e assim, no começo de 1974, desembarca na cidade maravilhosa. Ao chegar, confidenciou ao irmão o desejo de se tornar cantora. Entre um contato e outro, descola uma participação como Backing Vocal no show do Zé Rodrix, que acontecia na Boate Pujol e também no Teatro da lagoa. Só havia um porém: por ser "de menor", ela precisaria de uma autorização do pai ou da mãe para poder se apresentar, e foi aí que ela entrou em uma enrascada. Ela sabia que o pai não permitiria, então escreveu para a mãe pedindo para que ela mandasse uma autorização, só que escondido do pai. Dona Eneida mandou, mas não segurou o segredo por muito tempo e quando Sr. Joaquim descobriu a farsa, pegou um avião e veio para o Rio buscar a filha. Chegou bem no dia da estreia. Quando Fafá abriu a porta do apartamento e deu de cara com o pai, ela gelou! Claro que rolou aquela discussão básica de pai e filha e ficou resolvido, pela "dedocracia" que há em toda família, que ela iria se apresentar na estreia, desmanchar o acordo e voltar com ele para Belém. Antes de sair, Fafá tenta um último recurso, deixa um ingresso de presente para o pai ir assistir sua apresentação e talvez mudar de ideia. E ele foi. O show começa e o Sr. Joaquim ao ver a filha no palco, reconhece, com muita emoção, o seu talento. Durante o show ele se questiona o fato de deixar que ela cumpra o acordo ou não. Ficou com receio que, ao levá-la de volta, pudesse atrapalhar o futuro da filha. Percebeu que naquela situação só havia uma saída: negociar. Após o show, ele foi até o camarim, a abraçou fortemente e disse-lhe: "Você faz a temporada só porque já deu sua palavra. Mas volta para casa assim que terminar! Quando tiver dezoito anos, escolhe o que fazer da vida". Sr. Joaquim tinha adoração pela única filha. Percebia com orgulho o talento dela, mas temia em deixa-la sozinha no Rio. Fafá tinha duas características que o fazia temer em deixa-la só naquela cidade: A alma muito livre e o coração muito ingênuo. Esses traços da filha o deixava apreensivo, como pai e amigo, não queria que a filha sofresse, mas compreendia que não havia muito a fazer a não ser prepará-la da melhor maneira possível para que ela sofresse menos.

E assim, Sr. Joaquim voltou, sozinho, para Belém. Apesar de voltar com o coração apertado, sentia que naquele momento ele havia tomado a decisão certa. Só lhe incomodava em imaginar sua chegada à Belém. Já visualizava o olhar irônico de D. Eneida a lhe dizer: "Sabia que você iria voltar sozinho! Ela sempre te enrola...," Mas, nesse momento o que lhe importava é que ele fez valer o amor e não a autoridade de pai, e isso o deixou imensamente feliz.

No show de Zé Rodrix, Fafá e a atriz Tamara Taxmam faziam o Backing, mas Fafá logo começaria a se destacar e no intervalo, passa a cantar "Casa no Campo" (Composta por Rodrix e imortalizada por Elis Regina).

Ao voltar, recebe um convite para fazer um show ao lado do cantor Sérgio Ricardo, que faria uma pequena temporada na capital paraense. Claro que ela topou. Em 1974 atuou na peça "Os sete gatinhos", texto de Nelson Rodrigues. Neste mesmo ano, acontece na capital paraense, o Primeiro Festival de Música e Poesia Universitária. Fafá tinha ido ao festival apenas como espectadora, mas o amigo Vital Lima, que havia se inscrito com uma composição sua, resolve de ultima hora, por medo, desistir de participar. Fafá, que já conhecia a música, propõe ao amigo deixar ela defender a canção. Vital topa, ela defende, a música não ganha, mas ela leva o premio de melhor interprete.  

1974: No mês de Outubro, aconteceu na capital paraense, o "Primeiro Festival de Música e Poesia Universitária". Fafá de Belém tinha ido ao festival apenas como espectadora, mas o amigo Vital Lima, que havia se inscrito com uma composição sua, resolve de ultima hora, por medo, desistir de participar. Fafá, que já conhecia a música, propõe ao amigo deixar ela defender a canção. Vital topa, ela defende, a música não ganha, mas o juri composto por: Roberto Menescal, Hermínio Belo de Carvalho, Edna Savaget, Walter Firmo, Sergio Cabral, entre outros, dá a ela o premio de melhor interprete.

1974: De volta para Belém, Fafá de Belém atuou na peça "Os sete gatinhos", texto de Nelson Rodrigues.

No final de 1974, Fafá de Belém recebe um novo convite para atuar com Sérgio Ricardo em um show no Teatro Vila Velha de Salvador(BA) no Festival de Verão da Bahia.

Roberto Santana foi o coordenador geral do "Festival de Verão da Bahia 1974/75" e na programação, colocou Fafá para atuar com o cantor Sérgio Ricardo em seu show no Teatro Vila Velha, na capital baiana.

Fafá deu adeus a Belém do Pará e rumou para Salvador (BA). Chegando lá, uma surpresa: as faixas e cartazes que anunciavam o espetáculo apresentavam a cantora "Fafá de Belém". Em princípio a cantora torceu o nariz, não gostou de cara do nome artístico, mas depois, passou a gostar da sonoridade e desencanou. Ficaria de Novembro de 1974 a março de 1975, e depois, bom, o depois estava nas mãos do destino. O que a menina de Belém ainda não sabia era que o destino da cantora já estava escrito...

Texto Narrativo: Claudinei Sampaio

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