"Piano e Voz" - 2002/04 - Fatos&Fotos

Foi durante a sua turnê pelo Nordeste com o show "Fafá In Concert", no qual Fafá era luxuosamente acompanhada pelo pianista João Rebouças, que a cantora percebeu que o modelo do espetáculo apresentado, em muito agradou ao público e também a crítica. Foi daí que Fafá pensou na possibilidade de, em vez de gravar um novo disco em estúdio, registra-lo em CD e DVD.

A ideia não agradou muito a sua gravadora, afinal, a indústria fonográfica estava mergulhada em uma crise sem fim. Desde o final dos anos 90 que as gravadoras enfrentavam um grande inimigo, além da sua habitual incompetência, a pirataria. Arriscar em bancar um projeto tão "cool" de uma cantora tão popular, poderia ser desastroso. Mas, Fafá de Belém parecia não se importar muito com tal ameaça. A cantora vivia uma fase em que voltava a ter um compromisso apenas com a música, sem a pressão das paradas. Assim, após um acordo feito com a gravadora, o projeto foi aprovado.

Em janeiro de 2002, como vimos no período anterior, Fafá fez um "show laboratório" na casa de espetáculos Garden Hall, no Rio de Janeiro. Queria agregar no repertório algumas outras músicas. Em abril, estreou no Teatro Rival, onde na primeira semana, apenas acompanhada por João Rebouças fez uma espécie de piloto do show que foi apresentado na semana posterior, desta vez, acompanhada por outros músicos e novas canções para a sua voz.

Para os que achavam que era loucura da cantora lançar um CD nesses moldes, em uma época que não poderia contar com a divulgação maciça das gravadoras, Fafá respondeu: "Está vigorando uma supervalorização do produto, do marketing, da coisa imediatista, num processo em que a carreira, o artista já não tem o mesmo peso para as companhias e essa é uma tendência mundial". (Fafá de Belém para O Globo - 13/04/2002).

Fafá percebia que, se não houvesse uma rápida adaptação para as mudanças que se anunciavam, desaparecer do mercado era uma questão de tempo, de bem pouco tempo.

Imprensa

Em abril de 2002, chegava ás lojas o Songbook de Braguinha. A obra era dividida em 3 CDs. Fafá de Belém participou no volume 02 cantando "Fim de Tarde em Paquetá" (João de Barro/Alberto Ribeiro). No arranjo e Piano: Cristóvão Bastos, no Violão: João Lyra, no Baixo-Acústico: Jorge Helder, Flugel Horn: Jessé Sadoc (Um luxo!), Bandeja, guiro, prato, soroban, xequerê e ocean-drum: Sidinho. Ouça:

Pela primeira vez em sua carreira, Fafá de Belém pisou no palco do Teatro Rival (RJ). A cantora ficou em cartaz de 18 a 27/04/2002. Do dia 18 ao dia 21, Fafá apresentou seu show "Fafá In Concert" acompanhada somente pelo pianista João Rebouças. Era uma semana de uma espécie de "show ensaio" para a gravação do CD que aconteceu entre os dias 26 e 27/04.

Na gravação do CD Fafá foi acompanhada por: João Rebouças: Piano, Sax Soprano: Leo Gandelmann, Trompete/Fluegel: Márcio Montarroyos e no Sax Alto: Mauro Senise. O show ainda contou com a participação de Mariana Belém, que na época assinava como Mariana Mascarenhas, que junto com a mãe, cantou "Jardins Proibidos" (Pedro Malaquias/Paulo Gonzo/L.Oliveira). Segundo o jornal O Globo, veja notícias no quadro abaixo, o show também contou com a participação de Geraldinho Carneiro e Marina Lima. 

Imprensa

Como foi fortemente noticiado, Fafá encomendou para Geraldinho Carneiro, uma versão para "Et Maintenant", de Gilbert Becáud. Geraldinho fez a versão, Fafá cantou no show, mas a música não entrou no repertório do CD. Com a colaboração preciosa do Fã Josué Oliver, aqui você ouve e assiste. Aperta o play:

Mariana Belém nos tempos da banda "Red Fox". (Foto: Acervo pessoal da cantora).
Mariana Belém nos tempos da banda "Red Fox". (Foto: Acervo pessoal da cantora).

Mariana (foto) passou um tempo mochilando por Seattle (EUA), onde estudou canto lírico. Logo após sua volta ao Brasil, em 2001, se tornou a mais nova integrante da banda country "Red Fox". A banda era formada por: Beto Garja (voz, violão e harmônica), Daniel Nascimento (voz e guitarra), Guto Costa (voz e contrabaixo), Mick Gerson (bateria), Rodrigo Ribeiro (teclados) e Ulisses Medeiros (violino). Além da "Red Fox", Mariana pegava estrada acompanhando sua mãe nos "Jardins Proibidos".

No primeiro semestre de 2002 Fafá precisou tomar muito energético para aguentar o tranco. Além da tensão de gravar o seu próximo CD no palco, além das negociações feitas com a gravadora para que o projeto pudesse acontecer, a cantora também não resistiu a um convite do diretor Carlos Reichenbach (Dois Córregos, 1999), para participar de seu próximo filme, que inicialmente se chamaria "Aurélia Schwarzenega", mas depois prevaleceu o bom senso e, somente em agosto de 2004 é que foi comercialmente lançado com o título: "Garotas do ABC".

Após as gravações, Fafá voltava a fazer as Lonas Culturais e os Sescs do Rio de Janeiro e alguns shows em outros estados. De julho até agosto, Fafá também foi uma das atrações do evento "Amazônia BR" que fora realizado no Sesc Pompéia, na capital paulista. Abaixo, as datas e locais dos shows realizados no Sesc no mês de julho de 2002:

04/07/2002 - Sesc Nova Iguaçu

05/07/2002 - Sesc Niterói

06/07/2002 - Sesc São João do Meriti

11/07/2002 - Sesc São Gonçalo

12/07/2002 - Sesc Tijuca (Foto)

13/07/2002 - Casa Roda do Sesc Tijuca

14/07/2002 - Sesc Barra Mansa

Fonte: Jornal O Globo - Coluna Rio Show.

No final de julho de 2002, chegava às lojas o CD de Milton Nascimento com as trilhas de "Maria, Maria" e "O Último Trem". "Maria, Maria" foi gravada originalmente em 1976 e conta com a participação de Fafá de Belém, ainda em início de carreira, em duas músicas: "Sedução" e "Maria Solidária" (Milton Nascimento/ Fernando Brant). Detalhes sobre estas gravações e áudios das respectivas músicas gravadas com a participação de Fafá de Belém, estão disponíveis no período "Tamba-Tajá".

No dia 04/09/2002 chegavam às lojas dois novos discos de Fafá de Belém, o de carreira "Piano e Voz", o 22º de sua carreira, e o projeto especial "Fafá de Belém do Pará - O Canto das Águas". Nesse dia, Fafá foi até o "Programa do Jô" (Rede Globo), para divulgar esses seus belíssimos trabalhos. Assista:

Agradecemos ao Fã Josué Oliver pelo vídeo da música "Escândalo".

Como dissemos anteriormente, no dia 04/09/2002 chegavam às lojas dois novos discos de Fafá de Belém, o de carreira "Piano e Voz", o 22º de sua carreira, e o projeto especial "Fafá de Belém do Pará - O Canto das Águas". Apresentamos aqui estes dois trabalhos, começando pelo disco de carreira "Piano e Voz" - 2002 - WEA.

Capa, Contracapa, Músicas, Músicos, Fotos e Ficha técnica:

Crítica:

Ouça o CD completo:

Em maio de 1976 Fafá de Belém concedeu várias entrevistas para falar do seu primeiro disco: "Tamba-Tajá". Em uma dessas entrevistas, Fafá disse a jornalista Leda Nagle que: "Estou em busca do meu próprio ritmo". (Jornal "O Globo" - 20/05/1976).

Talvez quem leu essa frase, na ocasião em que foi publicada, nem prestou atenção. Talvez, a própria Fafá ao proferi-la não tenha percebido a força dessas palavras, que traduziriam o percurso a ser percorrido. Ao acompanhar a sua carreira até aqui, percebemos que, dita de forma consciente ou não, essa frase resume toda a trajetória da artista até aqui.

Fafá começou sua carreira cantando o ritmo das florestas, dos rios, dos pássaros, depois foi naturalmente se enveredando para os ritmos urbanos, políticos, românticos... na busca pelo seu próprio ritmo, em várias ocasiões, se reinventou. Deixou o regional e partiu para o seu "Essencial". Era o início de uma nova faze. Depois passeou pelo pop, lambadas, hinos... quando enfim, descobriu o ritmo que embalava não só o coração do povo, mas o seu próprio coração, que ansiava por novos caminhos. A crítica especializada não compreendia os caminhos da cantora e torciam o nariz para o seu repertório popular. Fafá os desafiavam ainda mais e cantou o sertanejo, as guarânias... "É o fim de sua carreira", diziam os pseudos intelectuais que acreditavam conhecer todas as vertentes da música.

Consciente de onde queria chegar, não os dava ouvidos. A cantora quebrava suas próprias muralhas, ousava, desafiava. Daí, vieram os fados, o boi, o Papa e até o axé. A crítica especializada iria com o tempo compreendendo, com espanto, uma cantora que passeava, com autoridade, por estilos e ritmos tão diferentes.

Com o lançamento simultâneo de "Piano e Voz" e "O Canto das Águas", discos completamente diferentes na concepção, no estilo, no repertório e no próprio formato, Fafá faz-se entender, ao tempo que também compreende que o ritmo que tanto buscara, era o ritmo da liberdade que todo artista tem que ter, que era o ritmo da emoção, que só se é artista quem, com honestidade a transmite.

Fafá de Belém, ao completar 27 anos de carreira encontra o seu próprio ritmo, liberdade e emoção, habitados na alma de um talento com sotaque próprio, amada pelo público e respeitada pela crítica. E para quem acreditava que a cantora já havia mostrado todas as suas facetas, surpresas futuras viriam, tornando-a, sem sombras de dúvidas, uma das maiores artistas deste país.

Projeto especial "Fafá de Belém do Pará - O Canto das Águas - Amazônia é Brasil - Volume 02"

O Disco foi uma bem-sucedida parceria do Governo do Pará, SECULT e WEA. A versão do CD, lançado pela SECULT, é um livro capa dura com 50 páginas onde há textos e fotos sensacionais (que é a versão apresentada aqui). A versão lançada e distribuída pela WEA é bem mais simples, somente algumas fotos e poucos textos foram inseridos no encarte.

Capa, Contracapa, Músicas, Músicos, Fotos e Ficha técnica:

Entrevista sobre "O Canto das Águas":

Ouça o CD completo:

Divulgação

"Programa Altas Horas" (Rede Globo)

"Programa Hebe" (SBT)

Nos dias 10 e 11/09/2002, Fafá de Belém foi a grande atração do "Bourbon Street", umas das casas mais badaladas da capital paulista. A imprensa anunciava o show "Piano e Voz", porém o "Bourbon Street" denominava o espetáculo como "Fafá de Belém In Jazz". No palco, Fafá era acompanhada por: João Rebouças (Piano), Mauro Senise (Sax alto), Márcio Montarroyos (Trompete/Fluegel) e Mariana Belém (Vocal na música "Jardins Proibidos"). Na época, Mariana assinava como Mariana Mascarenhas. 

Imprensa:

No dia 30/09/2002, estreou na Rede Globo, no horário das 18hs, a novela "Sabor da Paixão". A música "Só nós Dois", gravada por Fafá de Belém ("Meu Fado" - 1992), entrou na trilha da novela. A música foi tema da personagem Zenilda Paixão, vivida pela atriz Arlete Sales. Ouça:

No dia 07/10, Fafá voou para Belém. Além de participar dos festejos do Círio daquele ano, a cantora esteve em cartaz no Teatro da Paz, nos dias 10 e 11/10, com o show "O Canto das Águas". Segundo matéria publicada pelo jornal "O Globo" do dia 19/11/2002 (Veja abaixo), o show apresentado era uma espécie de "show ensaio" para a gravação do DVD que seria realizado nesse mesmo teatro, nos dias 27 e 28/12/2002. Não encontrei matéria alguma que confirmasse o show de dezembro, o que leva a crer que, o projeto do DVD não foi adiante. Uma pena...

Nesse ano, Fafá participou ativamente das festividades do Círio de Nazaré.

Aproveitando que Fafá estava em Belém, a Revista "Quem Acontece" fez uma matéria turística, onde a cantora apresentava as cores e os cheiros de sua terra natal. A matéria foi publicada em 25/10/2002.

Foto: Calé

Texto: Carolina Camargo

Em 2002, o Teleton foi realizado entre os dias 8 e 9 de novembro, sendo transmitido pelo SBT. A maratona, liderada por Silvio Santos, começou com um musical da cantora Fafá de Belém. Além de Hebe Camargo e o Daniel, padrinhos do Teleton, estiveram presentes Gugu Liberato, Ratinho, Carlos Alberto de Nóbrega, Dercy Gonçalves, Sônia Abrão, Marília Gabriela, Marina Person, Silvia Poppovic, Luciano Amaral, Jackeline Petkovic, entre outros. Entre as atrações musicais, estavam Alexandre Pires, Art Popular, Bruno e Marrone, Chitãozinho e Xororó, Daniela Mercury, Luiza Possi, Fábio Junior, Simone, Os Travessos, Deborah Blando, É o Tchan, Balão Mágico, Trem da Alegria, Mulekada, Pedro e Thiago, Roberta Miranda, Falamansa, Gian e Giovani, Frank Aguiar, Guilherme e Santiago, Martinho da Vila, Maurício Manieri, Patrícia Coelho, Adryana e a Rapaziada, entre outros.

Após a abertura oficial, o apresentador Silvio Santos comandou o Show do Milhão Especial com políticos. Participaram do game os políticos Marcelo Crivella, Eduardo Suplicy e Paulo Maluf. Aos jornalistas Lilian Witte Fibe, Hermano Henning e Márcia Peltier coube o papel dos "universitários". Comandada pelo apresentador Celso Portiolli, a Batalha dos Artistas, mostrou uma disputa entre artistas em diversas modalidades. Participaram da disputa Adriane Galisteu, Analice Nicolau, André Gonçalves, Cynthia Benini, Luciana Gimenez, Sheila Mello, Scheila Carvalho, Suzana Alves, Joana Prado, José Luiz Datena, Ronald Golias, Daniella Cicarelli, Jorge Lafond, Otávio Mesquita, Helen Ganzarolli, Syang, Sabrina Parlatore, Ellen Roche, entre outros. Por mais um ano consecutivo, artistas participaram do Show de Talentos, e mostraram ao público novas performances. Entre os artistas que se apresentaram estavam Daniel, Sylvinha Araújo, Zezé Di Camargo, Silvia Poppovic, Eri Johnson, KLB, Ratinho, Dudu Nobre, Elba Ramalho e Jair Rodrigues. A meta de R$15 milhões foi superada com R$16 milhões arrecadados ao final da campanha.

Fonte: Wikipédia. Nota: No titulo do vídeo, "Teleton 2013", não se refere ao ano e sim um numero de controle da AACD.


Fafá terminou o ano de 2003 feliz com sua bem-sucedida carreia. O show "Piano e Voz" era sucesso de público e crítica por onde passava. Mas você, caro leito, deve se perguntar: "E o CD "O Canto das Águas", não rolou? Embora seja um trabalho de grande magnitude, "O Canto das Águas", por uma questão financeira, era um disco difícil de se levar para os palcos. Os custos de produção eram muito caros, já que, para que a sonoridade do show fosse fiel a do CD, era necessário um grande número de músicos e instrumentistas. Sem conseguir um bom patrocínio, não dava. Porém, em 2004, como veremos na continuação deste período, aconteceram fatos que deram a "O Canto das Águas" o merecido destaque.

Continua>>>

Textos narrativos: Claudinei Sampaio

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